segunda-feira, 10 de outubro de 2011

num canto de mesa

num canto de mesa
onde o vinho é servido
alguém ingere o resto
de um amor escorrido

n'outro canto da mesa
há uma cadeira vazia
ela não veio
se perdeu no caminho

se perdeu nas lembranças
da mesa onde o vinho é servido
encontrou-me nas tralhas da cama vazia
no travesseiro onde estou escondido

naquele canto da mesa
um homem insiste em chorar
naquela esquadra de pura agonia
a poesia é veneno e pode matar