quarta-feira, 22 de junho de 2011

indubitável e cansada rainha

o corpo quer recompensas
os lábios não mais quer sorrir
palavras gemidas ao nada
a moça velha parece partir

a face carrega o cansaço
do trabalho que agora se foi
das guerras de peito encaradas
de um sonho chamado depois

não se importe com o espelho
essas lembranças não podem voltar
termine o seu dia lendo um romance
amanhã só histórias de ti vão contar

a morte é um sorriso mal desenhado
um longo sono que permite sonhar
somos eternos enquanto podemos
morra rainha ao som de Bach


2 comentários:

Ariel R. disse...

Morrer rainha é uma maravilha, ao som de Bach ainda.
Que belo poema!

Hudson Oliveira disse...

rsrsrsrs...
eu tbm pensei quando estava o escrevendo!
mas logo imaginei: se salve a Rainha é vangloriar,-o que pela tradição é incontestável-, não posso dar glórias na hora da morte; a Rainha merece Bach. rsrsrs... vlw Ariel, agradecido pela visita. abraços.