quarta-feira, 25 de maio de 2011

instantes dolosos

alguém diga-me um nome
eu preciso o escrever aqui
quero este nome nas minhas lembranças
de alguém que aqui um dia viveu

alguém me diga palavras
o mundo parece querer desabar
este eterno momento não requer silêncio
o meu sustento agora é chorar

alguém me diga da vida
pois só de morte eu ouço falar
só ouço um choreiro por um ente querido
gente pedindo pra me ajudar

eu não perdi nada pra morte
só coletei lembranças pra mim
o exemplo que tapa o buraco em meu peito
a história de alguém que viveu aqui

não existe heroísmo na morte
morrer é ser obrigado a se entregar
heróis só tem vida na televisão
o heroísmo é uma forma de eu me matar

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